Os Jovens, as Festas, O Carnaval e o Álcool


Para esta crónica estudei bastante. Pesquisei sobre as características do cérebro de um adolescente (pedi ajuda a um amigo médico) estudei sobre os efeitos do álcool no cérebro de um adolesceste, andei à caça de estatísticas sobre o alcoolismo em Portugal, coleccionei factos. 

Tudo coisas muito importantes. Estariam todas neste texto. Mas como estou a escrever para os jovens (alguns meus alunos) e sei que eles têm mais que fazer, como estudar e preparar as máscaras para o Carnaval e não gostam de textos compridos, desta vez, não vou fazer introdução e vai ser assim, à bruta.

Desenho de Vaanessa Efe
Aproxima-se uma altura festiva em todo o lado. Eu vivo numa cidade em que o Carnaval é levado muito a sério, mas há festas e festejos em todo o país. O Carnaval tem origens muito antigas, era uma festa pagã, uma festa de celebração, onde se podiam cometer excessos que não eram permitidos no resto do ano. Ora nem vos vou dar uma lição de história sobre o Carnaval, que eu adoro, nem vos vou explicar o que são excessos que vocês sabem. Um dia escrevo um livro sobre o Carnaval da minha cidade, mas não é hoje o dia.



Hoje é dia para dizer aos vossos pais assim:

- Não vale a pena dizer aos vossos filhos para não beberem em demasia e terem cuidado e tal, porque eles não percebem isso. 
A não ser que os tranquem em casa com algemas durante o período das festas, eles vão sair e festejar com os amigos. Porque merecem e é tempo de Festa e de Celebração.

- Embora o consumo de álcool só seja permitido depois dos 18 anos, os jovens de 14 e 15 anos já sabem uma coisa aprendida no currículo escondido da suas curtas vidas. Toda a gente tem um amigo de 18 anos que vai ao supermercado com um grande carrinho de compras e o enche de garrafas de bebidas alcoólicas. Passa na caixa, compra as bebidas e sai cheio de sacos que distribui pelos outros mais novos que estão cá fora à espera. (Se calhar pensavam que os adultos não sabiam, não? Que eu não tenho amigas nas caixas dos supermercados?)

Nada a fazer. Tal como nos bares e discotecas. Nem sempre os seguranças pedem os cartões de cidadão dos miúdos à entrada das discotecas ou no bar onde vendem bebidas. Esta é a realidade que temos.

Por isso, acorrentamo-los em casa até aos 18?

Não me parece. Nem concordo.

Se têm acompanhado a minhas crónicas já perceberam que não sou moralista nem puritana.

Não sou apologista das proibições nem da repressão.
Sou apologista da liberdade de escolha, do espírito critico, mas em consciência, sou apologista da informação, da formação, para que cada um de nós, jovens e adultos possamos escolher o nosso caminho de acordo com a nossa vontade, mas em consciência plena, sabendo ao que vamos e como vamos.

Como tal, cá vão algumas regras simples para as vossas saídas à noite.

- Saiam sempre em grupo e protejam-se uns aos outros. Duas meninas sozinhas com pouca experiência em saídas para discotecas e ainda menos em consumo de bebidas alcoólicas é perigoso. Se uma bebe demais, a outra vai ter muita dificuldade em ajudar a amiga. 
Por isso – em grupo de amigos.
Um por todos, todos por um. Se um tiver um destes sinais que eu vou explicar, os outros só têm de ajudar, como eu vou dizer.

Podem tomar notas:

- Há jovens que bebem um copo e ficam contentes e desinibidos;  outros que bebem dois ou três e ficam alegres; (até aqui podem continuar a divertir-se), outros que param de beber álcool e continuam a noite com Coca-Cola ou sumos (a melhor opção) outros que comem uma bifana e uma fartura (outra boa opção) outros que não conseguem parar de beber álcool e vão ficar doentes.

Ora vejam bem estes sinais de alerta à medida que a noite decorre e o que vai acontecido a cada um dos vossos amigos e o que fazer: 

Fala arrastada, sonolência, vómitos - Levar este amigo para casa dele ou para casa de um de vocês. Para um ambiente seguro. A noite de diversão acabou para ele.

Diarreia, azia e dor no estômago – a mesma opção anterior.

Dor de cabeça, dificuldade para respirar – a mesma opção anterior a não ser que saibam que o amigo é asmático – aí levam-no  ao hospital.

Visão e audição alteradas – dar água ou sumos e comida ao amigo. Deixá-lo respirar ar puro e não o deixar beber mais álcool durante a noite. Levá-lo para um ambiente seguro, falar com ele, tranquilizá-lo, ele pode começar a imaginar que tem visões estranhas e assusta-se com facilidade. Se ao fim de uma hora ou duas depois de respirar ar puro, comer e beber água, este estado não passar, levem-no para casa, Vai dormir, acabou a festa para ele.

Alteração na capacidade de raciocínio – Não deixar este amigo sozinho nunca. Nesta fase o álcool provoca emoções e reacções que estão por vezes escondidas dentro das pessoas – violência, agressividade, impulsos sexuais, comportamentos fora do normal nessa pessoa. Neste estado o jovem pode envolver-se em confrontos físicos com outras pessoas. Não o deixem beber mais e… vai ser muito difícil tranquilizá-lo. O seu raciocínio já está toldado, não ouve a voz da razão, por vezes pode ser agressivo mesmo com vocês, os seus amigos.

Falta de atenção, alteração na percepção e coordenação motora – aqui as pernas já não seguram o corpo, não se consegue andar a direito, por vezes cai-se para o chão, magoando-se seriamente. Há uma perda grande de consciência e as meninas (por vezes os rapazes também) são facilmente abusadas sexualmente sem perceberem o que lhes está a acontecer. A sua vontade a sua capacidade de dizer sim ou não, desapareceu. Não deixar este amigo / amiga nunca sozinho. Levá-lo já para casa, para um lugar seguro. Tornam-se extremamente emocionais, choram ou gritam, muitas vezes chamam pela mãe ou pelo pai. A noite de festa acabou para ele /ela.

Blackout alcoólico - falhas de memória em que o indivíduo não se consegue lembrar do que aconteceu enquanto estava sob a influência do álcool – Isto é um apagamento, desmaio total, por vezes não se consegue mexer mas a pessoa pode até estar a andar e a falar, mas no dia seguinte não se lembrará de nenhum acontecimento da noite anterior. Muito perigoso. Em caso de apagamento, desmaio total, chamar uma ambulância e levar o amigo para o hospital. Acabou a festa nessa noite e no dia seguinte vai estar bastante doente e confuso.

Perda de reflexos, perda de julgamento da realidade, coma alcoólico. – Sem mais demoras, chamar uma ambulância e levar o amigo para o Hospital. Essa noite no hospital vai ser dolorosa com lavagem ao estômago e o dia seguinte vai ser bastante desagradável. Precisará de uns dias para recuperar.


Agora escolham, mas em consciência, como é que se querem divertir.



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